Por LUIZ CARLOS MEREGE* (fonte: http://migre.me/4cWVB)
Na literatura econômica, o termo empreendedor foi utilizado pela primeira vez pelo economista Joseph Alois Schumpeter. Considerado um dos maiores economistas da primeira metade do século XX, ele é responsável pela teoria dos ciclos econômicos, que coloca o empreendedor econômico como elemento chave para que um país saia da recessão ou depressão.
Para ele, empreendedor é responsável por ações inovadoras que colocam o país novamente no caminho do crescimento econômico. A criação de um novo produto, mudanças no processo produtivo, o uso de uma nova matéria-prima, a introdução de um sistema revolucionário de comercialização e a quebra de monopólio são exemplos dessas ações.
A inovação para Schumpeter só pode ser considerada como tal desde que tenha como pano de fundo o avanço tecnológico. Daí a importância que desde sua obra se tem dado ao investimento que os países devem fazer em pesquisas tecnológicas.
Entretanto, a conquista cientifica só terá significado quando transformada em uma daquelas ações econômicas inovadoras, metamorfose que acontece por obra do empresário empreendedor.
Embora Schumpeter tenha defendido que esse era o caminho para o desenvolvimento, os economistas contemporâneos chamam a atenção que a receita idealizada por ele, na realidade, poderia resultar somente no crescimento da riqueza de um país, principalmente como estratégia antirrecessiva.
Por desenvolvimento entende-se que o crescimento contínuo da riqueza do país, acima da taxa de crescimento da população, deve ser acompanhando de mudanças na distribuição de renda, na estrutura social e política, resultando na melhoria dos indicadores econômicos, sociais e ambientais.
Tomando como referência essa ultima definição pode-se afirmar que o empreendedor social é atualmente o protagonista chave para o desenvolvimento de nosso país. Nos últimos anos, nossos indicadores econômicos melhoraram, mas ainda se faz necessário profundas transformações, principalmente no campo social.
O empreendedor social tem sido o grande responsável por ações inovadoras na educação, na saúde, no saneamento básico, no desenvolvimento comunitário graças às novas tecnologias sociais que tem criado.
A criatividade do empreendedor social não tem limite e pode ser atribuída à própria natureza das organizações do terceiro setor, que garante, aos seus dirigentes, liberdade total para instituir e experimentar novas técnicas de promoção humana, nos campos em que atua.
A liberdade para inovar tem sido uma das fortes razões que explica a enorme atração que o terceiro setor exerce sobre espíritos inquietos que não se conformam com o nosso status quo.
A indignação somada à liberdade criadora e transformada em novas técnicas sociais: eis aí a receita de que tanto necessitamos e que o empreendedor social, como ninguém, sabe usar.
*Luiz Carlos Merege --economista, mestre e doutor pela Maxwell School of Citizenship and Public Affairs da Universidade de Syracuse, de Nova York (EUA), é presidente do Iats - Instituto de Administração para o Terceiro Setor e autor do livro 'Terceiro Setor: A arte de administrar sonhos'. E-mail: merege@iats.org.br